Tendências e oportunidades do empreendedorismo feminino para 2025
O empreendedorismo feminino vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil, impulsionado pela resiliência, criatividade e liderança de milhares de mulheres que transformam ideias em negócios de sucesso. Em 2024, de acordo com o Relatório Técnico de Empreendedorismo Feminino do Sebrae, as mulheres representaram 34% dos empreendedores do país, com destaque para a crescente participação feminina em setores como tecnologia, serviços e comércio digital.
Esse aumento é reflexo de uma tendência que deve se intensificar em 2025, com novas oportunidades, avanços tecnológicos e iniciativas de apoio específicas para mulheres empreendedoras.
Evolução do empreendedorismo feminino
O cenário atual do empreendedorismo feminino é resultado de uma trajetória marcada por avanços importantes. Nos últimos dez anos, a participação feminina no empreendedorismo brasileiro cresceu de forma consistente.
Em 2012, eram 7,5 milhões, chegando a 9,8 milhões no fim de 2019, pouco antes da pandemia. Nessa época, as mulheres já eram responsáveis por cerca de 30% dos negócios, número que se manteve estável mesmo diante dos desafios impostos pela crise sanitária global. Apesar dos obstáculos da pandemia, esse período acelerou a digitalização e incentivou muitas mulheres a empreenderem, como alternativa à perda de emprego ou à busca por maior autonomia.
Após a retomada econômica, o empreendedorismo feminino voltou a crescer, superando os 10 milhões em 2022. Já em 2024, foi alcançado o recorde histórico, com 10,35 milhões de empreendedoras (34% dos empreendedores do país), consolidando sua relevância no cenário econômico.
Esse crescimento é prova da capacidade de adaptação das mulheres, com destaque para a digitalização de negócios e o uso de redes sociais como canais de vendas. O crescimento da formalização como MEI (Microempreendedor Individual) também foi expressivo, ampliando o acesso a direitos e benefícios previdenciários.

Perfil da mulher empreendedora no Brasil
O estudo do Sebrae também revelou alguns dados sobre o perfil da mulher empreendedora no Brasil. Destacamos os principais pontos abaixo.
Escolaridade e qualificação
No último trimestre de 2024, menos de 30% das mulheres empreendedoras não tinham ensino médio completo, enquanto a maioria se dividia entre ensino médio completo (37,9%) e ensino superior incompleto ou mais (34,5%).
Esses dados indicam um crescimento expressivo no número de mulheres com maior escolaridade e mais qualificadas para empreender. No entanto, os indicativos ainda refletem as dificuldades enfrentadas por elas no mercado de trabalho formal.
Apesar de serem mais escolarizadas que os homens, muitas encontram barreiras para manter empregos, optando pelo empreendedorismo por necessidade. Um exemplo são mães que, ao enfrentar a falta de flexibilidade e preconceito no mercado de trabalho, escolhem empreender como alternativa.
Faixa etária
No Brasil, a faixa etária mais representativa entre as mulheres empreendedoras é a de 30 a 39 anos. Um dado importante no empreendedorismo feminino é que, até 2023, havia uma participação semelhante entre as jovens adultas (25 a 29 anos) e as mulheres com 60 anos ou mais. No entanto, essa tendência mudou em 2024, quando a participação das empreendedoras com 60 anos ou mais aumentou levemente, alcançando 12,5% no quarto trimestre do ano.
Setores de maior atuação
Entre as mulheres empreendedoras, o setor de serviços é o mais representativo e vem aumentando sua vantagem em relação ao comércio ao longo dos anos. No último trimestre de 2024, 56,8% das mulheres atuavam em serviços, enquanto 25,1% estavam no comércio — uma diferença de 31,7 pontos percentuais, bem acima dos 10,5 pontos percentuais observados há 10 anos.

Maiores desafios enfrentados pelas empreendedoras
Apesar dos avanços, a participação feminina ainda representa menos de 35% do total de empreendedores do país. Esse número mostra que os desafios estruturais persistem e dificultam a igualdade de gênero no setor.
Um obstáculo significativo é a diferença de rendimento médio entre homens e mulheres empreendedoras: no final de 2024, as mulheres ganhavam, em média, 24,4% menos que os homens, refletindo desigualdades na precificação do trabalho e no acesso a oportunidades de maior lucratividade.
Outro ponto relevante é a carga horária: em média, as mulheres empreendedoras trabalham menos horas que os homens. Essa diferença pode ser atribuída à dupla jornada e à maior responsabilização sobre o trabalho doméstico.
Além disso, as mulheres ainda têm menor acesso a oportunidades de investimento, já que muitos bancos exigem garantias ou apresentam condições pouco favoráveis, o que pode dificultar o crescimento do negócio. Por isso, é essencial o fortalecimento de políticas públicas e iniciativas privadas que incentivem o empreendedorismo feminino, ampliando o acesso a crédito, capacitação e redes de apoio.
Tendências e oportunidades para 2025
A crescente qualificação das mulheres empreendedoras, o avanço da transformação digital e as mudanças no comportamento do consumidor apontam para um período estratégico para a expansão do empreendedorismo feminino. O ano de 2025 deve ser marcado pela consolidação de tendências que vêm ganhando força nos últimos anos e pela abertura de novas oportunidades em setores promissores, como os que destacamos abaixo.
Economia digital e tecnologia
O digital continua sendo um dos campos mais acessíveis e dinâmicos para empreendedoras, especialmente em negócios que exigem baixo investimento inicial e alta capacidade de crescimento. E-commerce, consultorias, criação de conteúdo e gestão de mídias sociais são áreas nas quais muitas mulheres já atuam e que tendem a aumentar suas demandas.
Em 2025, também é esperado um aumento na presença feminina em nichos mais técnicos, como desenvolvimento de software, design de experiência do usuário (UX) e de interface do usuário (UI) , automação de processos e inteligência artificial aplicada a negócios. O crescimento na oferta de cursos de tecnologia voltados para mulheres, somado a políticas de incentivo à diversidade no setor, pode ampliar significativamente esse protagonismo.
Saúde, bem-estar e qualidade de vida
Com a busca por equilíbrio físico e emocional em alta, o setor de saúde e bem-estar continua a atrair empreendedoras interessadas em oferecer serviços personalizados, produtos naturais, terapias alternativas e soluções inovadoras para cuidados com a saúde.
Negócios focados em saúde mental, yoga, alimentação saudável e estética integrativa devem se destacar. A tendência é de valorização de marcas com propósito, que promovem o autocuidado e o empoderamento feminino.
Educação e capacitação online
A educação digital segue em ascensão, com mulheres empreendedoras liderando plataformas de cursos, mentorias, consultorias e conteúdos voltados para o desenvolvimento pessoal e profissional. A tendência é que aumente o espaço para mulheres que queiram empreender ensinando o que sabem.
Sustentabilidade e economia circular
A preocupação com o meio ambiente impulsiona negócios sustentáveis, e as mulheres têm se destacado na criação de soluções ligadas à reutilização de materiais, moda consciente, cosméticos naturais, consultoria ambiental, reciclagem criativa e produtos ecológicos. A economia circular, que preza pelo reaproveitamento e pela menor geração de resíduos, vem se fortalecendo como tendência global.
Serviços personalizados e experiência do cliente
O público está cada vez mais interessado em atendimento personalizado e experiências únicas. Nesse contexto, surgem oportunidades em diversas áreas, como consultoria de imagem e estilo, organização pessoal, cuidados com pets e eventos personalizados. A capacidade de ouvir e entender o cliente, uma característica muitas vezes associada às empreendedoras, pode ser o grande diferencial competitivo nesse nicho.

Fatores essenciais para o crescimento de negócios liderados por mulheres
Para aproveitar as oportunidades e vencer os desafios do empreendedorismo feminino em 2025, é fundamental que as mulheres invistam em ferramentas e estratégias que fortaleçam seus negócios. Desde a formalização até o uso inteligente da tecnologia, esses recursos ampliam a sustentabilidade e favorecem o crescimento das empresas lideradas por mulheres.
Formalização do negócio
A formalização é um passo estratégico para qualquer negócio, especialmente no contexto feminino, em que muitas empreendedoras ainda operam na informalidade por receio de burocracia ou desconhecimento. O registro como MEI (Microempreendedor Individual) permite acesso a benefícios previdenciários, emissão de notas fiscais, linhas de crédito específicas e oportunidades de participar de licitações e parcerias com empresas maiores.
Em 2024, o estudo do Sebrae mostrou que o número de empreendedoras informais reduziu 5,1% em relação a 10 anos atrás. Embora o crescimento da formalização tenha sido modesto, é um sinal positivo para o empreendedorismo feminino. Para 2025, espera-se maior facilidade na formalização digital, com plataformas simplificadas e atendimento personalizado voltado às empreendedoras.
Capacitação contínua e mentoria
Investir em capacitação é fundamental para manter-se competitiva, identificar tendências e desenvolver competências de gestão, inovação e liderança. Cursos gratuitos e pagos, mentorias, programas de aceleração, consultorias do Sebrae e eventos de networking serão peças-chave para quem deseja ter sucesso com o seu negócio. O desenvolvimento de habilidades digitais, financeiras e de gestão de equipes também será relevante.
Redes de apoio e financiamento
O fortalecimento de redes femininas, como coletivos de empreendedoras, grupos de networking, comunidades online e espaços de coworking voltados para mulheres será determinante para trocar experiências, gerar oportunidades e conquistar visibilidade. Além disso, linhas de crédito exclusivas para mulheres, com taxas diferenciadas e menos burocracia, devem ganhar espaço, especialmente por meio de instituições públicas e fintechs voltadas ao público feminino.
Tecnologia como aliada estratégica
O uso da tecnologia vai além da presença digital. Em 2025, a automação de processos administrativos, o uso de chatbots com inteligência artificial para atendimento ao cliente, a análise de dados para tomada de decisão e a gestão de vendas com plataformas integradas serão recursos cada vez mais acessíveis e necessários.
As empreendedoras que adotarem essas ferramentas poderão aumentar a produtividade, reduzir custos e evoluir seus negócios com mais eficiência. Além disso, conteúdos digitais continuarão sendo formas relevantes de atrair e fidelizar clientes.

O futuro é do empreendedorismo feminino
O empreendedorismo feminino não é apenas uma tendência, mas um fator fundamental para o crescimento da economia brasileira. Mulheres estão transformando sonhos em negócios, enfrentando desafios históricos e se destacando em setores estratégicos.
Em 2025, as oportunidades se expandem, especialmente em áreas como tecnologia, saúde, sustentabilidade e educação digital. Embora alguns obstáculos ainda persistam, investir em capacitação, redes de apoio e inovação tecnológica será o diferencial para transformar esses desafios em sucesso.
Aqui no Sebrae/SC, você pode contar com rede de apoio e networking, comunidade online, capacitações, eventos, palestras e conteúdos do programa Sebrae Delas, que ajudam a impulsionar os projetos de mulheres que empreendem ou querem empreender. Para saber mais e ficar por dentro das novidades, cursos e eventos voltados para empreendedoras femininas em Santa Catarina é só conferir aqui.