Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 29/06/2010
Autor: Cesar Valente

Pousadas apostam no inverno para aquecer negócios este ano

Além do frio, festivais, atividades culturais e promoções atraem os visitantes

As temperaturas baixas com que o inverno começou este ano enchem de boas esperanças os que trabalham com o turismo em regiões como a serra gaúcha, onde se situam as cidades de Gramado e Canela, a serra catarinense, com São Joaquim e Lages e a serra da Mantiqueira, em São Paulo, onde se situa a "suíça brasileira", Campos do Jordão. O frio é o principal componente de um conjunto de atrações que essas e outras cidades brasileiras criam para os meses de inverno.

Tal como um verão de sol e calor animam a economia das regiões de praia, um inverno frio ajuda a transformar as paisagens e a movimentar toda a cadeia produtiva das regiões serranas, principalmente no sul e no sudeste. E as perspectivas, para este inverno, são animadoras.

Uma sondagem feita pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), entre seus 77 associados, que são responsáveis por 80% dos pacotes turísticos comercializados no país, revela como o otimismo. A expectativa é que as vendas no inverno de 2010 sejam 20% maiores que as do mesmo período do ano passado. Boa parte desse cenário favorável deve-se ao dólar e ao euro mais baixos. A enquete também identificou aumento do poder aquisitivo, dado fundamental para o crescimento da procura por destinos turísticos.

Campos do Jordão e Gramado, por exemplo, promovem festivais de inverno que transformam essas cidades em centros turísticos e culturais. Mas, para muitas outras cidades que vivem do turismo de inverno, mas não são tão famosas, o desorganizado calendário escolar brasileiro que encolheu as férias escolares de julho dificulta a programação que os hotéis, pousadas e toda a rede de serviços gostaria de oferecer. "Na verdade, a gente conta como temporada de férias de inverno, apenas o período de 15 de julho a 1º de agosto", diz Júlio Cardoso, do sindicato da hotelaria, restaurantes, bares e similares da região das Hortênsias, no Rio Grande do Sul.

Sem férias escolares de 30 dias, resta investir na atração do turista que mora nas metrópoles próximas e que tira alguns dias para "curtir um friozinho". As pousadas e pequenos hotéis de Campos do Jordão começaram este ano, a oferecer tarifas diferentes para os dias de menor movimento na semana. De segunda a quinta, os pacotes têm preços bem menores que nos finais de semana.

Na cidade de Gramado (ou na região "das Hortênsias", que inclui municípios vizinhos, como Canela), embora não exista uma prática uniforme, todas as pousadas também negociam seus preços conforme os dias da semana e, naturalmente, a extensão da estadia.

Ainda que as férias escolares mais curtas impeçam que o movimento seja maior, o otimismo detectado pela sondagem da Braztoa vai se concretizando. "Nos finais de semana, a ocupação está em quase 100%", afirma Marta Eisenlohr, da Central de Pousadas de Campos do Jordão, uma associação que reúne 36 estabelecimentos de vários tamanhos e tipos. E tudo indica que essa demanda é crescente. Segundo Marta, "somente este ano entraram em atividade dez novas pousadas e pequenos hotéis."

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) tem identificado o surgimento de um volume expressivo de novos clientes. E não se trata só da primeira viagem de turismo, mas, em muitos casos, da primeira viagem de avião. Esse público é atendido principalmente por micro e pequenas agências de viagens. Segundo Antonio Azevedo, que dirige o Proagencia, uma parceria entre a Abav e o Sebrae, "aproximadamente 95% do agenciamento turístico é feito pelas micro e pequenas agências". O programa existe justamente para ajudar essas empresas a manterem-se competitivas, tanto na negociação com fornecedores, quando no atendimento aos clientes.

As pousadas e pequenos hotéis das regiões mais frias, fora da alta temporada, têm conseguido manter-se com o turismo de negócios. Seminários, congressos, reuniões e mesmo eventos sociais, como casamentos, realizados durante todo o ano, têm ajudado cada vez mais a atrair clientes, independentemente da temperatura. E fazem com que as pousadas fiquem abertas o ano todo, em muitos casos fechando apenas um mês, no verão, para férias coletivas.

As pousadas de praia, como as que existem no litoral catarinense, têm o problema inverso e sofrem com o fato das temperaturas ali só serem altas no verão. Nos demais meses é quase impossível entrar no mar que, para muitos, seria a principal atração. A procura cai e um grande número fecha por vários meses. Mas, está crescendo o número de estabelecimentos que encontra formas de atrair o turista mesmo no inverno. Assim, como suas congêneres nas regiões frias, pacotes especiais, com preços mais convidativos e as atividades de negócios, esporte ou lazer realizadas no município, ajudam a reduzir o impacto da baixa temporada.

*Os textos aqui apresentados são extraídos das fontes citadas em cada matéria, cabendo às fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.

Fonte: Valor Econômico


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