Oportunidades de Negócios

 
  Data Inclusão: 12/04/2010
Autor: Katia Simões

Marketing esportivo é um mercado de ouro

Um patrocínio para uma corrida de rua pode chegar a R$ 1 milhão. Palestras com treinadores e atletas valem até R$ 70 mil. O setor de marketing esportivo é espetacular - mas muito competitivo

Triatleta premiado, Carlos Galvão, 40 anos, fez carreira no mercado financeiro. Mas sempre quis transformar sua atração pelos esportes em negócio. Há dez anos, abriu a Latin Sports, uma agência especializada em marketing esportivo. Hoje fatura R$ 6 milhões ao ano, principalmente com a promoção de corridas de rua. Formado em marketing e também apaixonado por competições, Renato Chvindelman, 35 anos, inaugurou, em 2001, em São Paulo, a Arena Sports Marketing Esportivo.

Viajou à Europa e aos Estados Unidos para conhecer a atividade e, na volta, fez da sua agência uma referência no desenvolvimento de eventos empresariais com estrelas como o técnico de vôlei Bernadinho e o velejador Amyr Klink. Realiza uma média de 60 palestras por ano para clientes do porte da Bayer, Coca-Cola e Philips, que desembolsam entre R$ 15 mil e R$ 70 mil por apresentação.

Galvão e Chvindelman são dois bem-sucedidos empresários de um mercado bilionário - e cada vez mais profissionalizado. Para associar suas marcas ao esporte, grandes empresas contratam agências especializadas em desenvolver esse tipo de estratégia de marketing. Com a perspectiva da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Brasil, as oportunidades nesse ramo tendem a crescer. Um sinal é a chegada ao país do Havas Sports & Entertainment, sétimo maior grupo de publicidade do mundo, presente em 20 países e especializado no desenvolvimento de estratégias de comunicação de marcas em eventos esportivos.

Time Campeão
Para Rafael Plastina, diretor de marketing da Informídia, consultoria especializada em pesquisas esportivas, trabalhar com seriedade e transparência é essencial para se destacar nesse mercado. "Esse é um setor que ainda peca pela credibilidade e que, em períodos que precedem grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, recebe muitos oportunistas em busca de lucro rápido", afirma. Segundo ele, um dos principais atrativos do negócio é permitir ao empreendedor atuar em vários ramos, como gerenciamento de carreira e imagem de atletas, organização de eventos e promoção de palestras motivacionais.

Poucas são as empresas, porém, que operam em todas as áreas. A maioria prefere especializar-se em um segmento, como Chvindelman, da Arena Sports Marketing Esportivo. A agência embolsa entre 15% e 20% do valor pago aos técnicos e atletas para fazer eventos de motivação entre funcionários de grandes empresas. "O segredo está em escolher a personalidade esportiva certa para a necessidade de cada cliente", afirma Chvindelman. "Apesar de todos serem ligados ao esporte, cada um tem uma especialidade. Bernardinho, por exemplo, fala muito bem sobre motivação e trabalho em equipe, enquanto Amyr Klink é um expert em logística e gestão de projetos."

A escolha do time de esportistas é base para o sucesso. "O atleta ou dirigente deve ter uma conduta vitoriosa no esporte e na vida. Qualquer escorregão pode levar à rescisão de contratos e à perda de muito dinheiro, como aconteceu recentemente com o melhor golfista do mundo, Tiger Woods, que foi acusado de infidelidade", diz Ricardo Andreu, fundador da Galeria de Esportes, agência de marketing esportivo especializada em gerenciamento de carreira de atletas e promoção de eventos.

Vale observar, também, que para cada empresa e produto existe uma modalidade esportiva adequada para fortalecer a marca e aumentar o volume de vendas. "Se o público-alvo é o consumidor de baixa renda, por exemplo, não dá para investir em esportes de elite, como o golfe e o automobilismo", diz Luiz Henrique Moreira Gullaci, professor de marketing da FGV Management. "O trabalho da agência está em resolver essa equação, levando em conta a identificação com o potencial cliente, a atuação geográfica da empresa e a mensagem que deseja passar."

Com a experiência de quem é um dos pioneiros na área, Andreu afirma que conquistar a confiança dos clientes exige tempo, profissionalismo e muito trabalho. "Ninguém está disposto a desembolsar entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões para patrocinar um time de vôlei, por exemplo, e correr o risco de jogar dinheiro fora. Tudo deve ser bem planejado", diz. "Esse não é um negócio para amadores e nem tampouco de lucro imediato. Se o objetivo é esse, não vale a pena nem começar."

Os esportes que mais chamam a atenção dos torcedores

FUTEBOL
São mais de 38 milhões de praticantes. Gera R$ 250 bilhões em negócios e responde por 63% de tudo o que é investido em patrocínio no Brasil

VÔLEI
É o segundo esporte mais praticado no país. Atrai 15% das verbas de patrocínio. Tem boa visibilidade na quadra e na areia

NATAÇÃO
Tem forte ligação com o público, atletas de nível internacional e agrega atributos interessantes para as marcas, como saúde, vigor, performance e tecnologia

TÊNIS
Figura entre os cinco esportes mais vistos na TV fechada e fala com um nicho de mercado com bom poder aquisitivo

BASQUETE
Tende a ganhar maior visibilidade no país, que possui atletas de nível internacional. Voltou a ocupar espaço na mídia

FUTSAL
O calendário de campeonatos é bem organizado e são mais de 10 milhões de praticantes

*Os textos aqui apresentados são extraídos das fontes citadas em cada matéria, cabendo às fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.

Fonte: Notícias PEGN


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