O empresário Diether Werninghaus, filho mais velho de Geraldo Werninghaus, um dos três fundadores do admirado grupo Weg, de Jaraguá do Sul, decidiu usar parte da sua renda pessoal para investir na Juriti Microfinanças, uma das primeiras instituições privadas de microcrédito produtivo e orientado do país. Fundada há 17 meses, a organização tem 13 agências nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, e 1,6 mil clientes ativos, sendo 70% informais. Já tem quase R$ 10 milhões aplicados e, neste fim de semana realiza sua primeira convenção geral em Jaraguá.
Werninghaus conheceu o microcrédito em conversas com amigos, se apaixonou pelo modelo fundado pelo economista de Bangladesh Muhammad Yunus e decidiu investir na área. A exemplo do seu pai, que ingressou na política com o objetivo de colaborar para melhorar a vida do país, acredita que financiando pequenos negócios formais e informais dará um impulso expressivo para o desenvolvimento do Brasil.
Por que a decisão de investir no microcrédito produtivo?
Diether Werninghaus - Conheci o microcrédito por meio dos meus sócios, João Krein e Mário Livramento. É uma coisa inovadora, o capital privado participa ativamente desse processo. Além do que, o enfoque social é altamente positivo. Meu pai achava que atuando na área política, iria influenciar em alguma coisa para melhorar o país, e realmente influenciou. Foi vereador, deputado estadual e prefeito de Jaraguá. E quando eu conheci o microcrédito, achei que também poderia fazer a diferença atuando mais diretamente na área de empreendedorismo. Saí da retórica para a prática.
Qual foi o capital inicial e quanto está aplicado hoje?
Werninghaus - A Juriti começou com capital inicial de R$ 1 milhão e foi crescendo. Já emprestamos perto de R$ 8 milhões e os valores dos créditos a receber são de R$ 9,94 milhões. Usamos a mesma metodologia do microcrédito produtivo e orientado fundado por Muhammad Yunus, adotado pelas demais 19 organizações de microcrédito do Estado como a Casa do Empreendedor, de Joinville, e o Blusol, de Blumenau.
Onde a Juriti atua e quais são as metas de expansão?
Werninghaus - Atuamos nos três estados do Sul, com 13 agências, sendo que duas delas estão sendo abertas agora, em Rio do Sul e em Canoas. Nossa intenção é consolidar presença no Sul.
Quantos clientes são informais?
Werninghaus - Temos por volta de 1,6 mil clientes ativos. Desses, cerca de 70% são informais e 30%, formais. Cobramos juros de mercado para o segmento, menos de 4% ao mês. O nosso leque de clientes é muito grande, vai desde sorveteiro e pipoqueiro até o empresário que tem padaria e mercearia. Temos muitas clientes que compram máquinas para fazer facção. Hoje, cerca de 45% das nossas operações de crédito são para mulheres. Em média, o valor emprestado é de R$ 4 mil. O mínimo que financiamos é R$ 500 e o máximo, R$ 10 mil.
A maioria dos empreendedores já conhece o microcrédito?
Werninghaus - Dos três estados, sem dúvida, Santa Catarina tem mais a cultura do microcrédito. Temos aqui 19 instituições que já praticam isso, mas é um mercado tão grande que cabe muita gente ainda. Para difundir o sistema fizemos uma caravana no Paraná. O empreendedor não sabe que é empreendedor, ele acha que é um sobrevivente da vida. Nós temos a figura do agente de crédito para orientar os empreendedores. Ele tem o primeiro contato com o cliente e faz a análise sócio-econômica.
Quanto a Juriti deve emprestar este ano?
Werninghaus - Planejamos emprestar R$ 1,2 milhão por mês este ano, mas podemos aumentar para R$ 1,7 milhão. Vamos emprestar os recursos devolvidos pelos clientes e incluir dinheiro novo. Temos um contrato com o Badesc pelo qual estamos usando linha de R$ 2 milhões. Também estamos fazendo contatos com a Caixa Econômica Federal e bancos privados para conseguir mais empréstimo e aumentar a oferta de crédito.
*Os textos aqui apresentados são extraídos das fontes citadas em cada matéria, cabendo às fontes apresentadas o crédito pelas mesmas.
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